quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Alguém tem uma granada ai?

Simplesmente Complicado (It´s Complicated), de Nancy Meyers. Com Meryl Streep, Alec Baldwin, Steve Martin e John Krasinski

Estréia sexta feira

Pra começo de conversa, eu não entendo essa senhora chamada Nancy Meyers! Na verdade eu entendo muito bem, só não sei fazer parte desse mundinho “Sex in the City” que algumas roteiristas de Hollywood se afundam. Assim como Nora Ephron, essa diretora acha que é a versão feminina de Woody Allen e por isso escreve filmes na mesma linha do genial escritor e diretor nova yorkino. A diferença é que Allen é capaz de fazer um filme sobre qualquer coisa, e sabe muito bem interpretar reações humanas em seus roteiros sem que seus personagens precisem ficar presos a estereótipos ou mesmo terem que passar por alguma mudança importante de vida para sua produção ser boa. Meyers e Ephron só são capazes de fazer filmes de um gênero: comédias românticas! Mas enquanto Ephron tem tentado mudar um pouco sua linha de direção optando por outros gêneros (com o infeliz A Feiticeira e o interessante Julie & Julia), Meyers continua se alimentado de uma falsa baboseira que ao final da sessão não soa nem como entretenimento, muito menos como cinema de qualidade.


Dizer que fui enganado ao ver esse filme é uma mentira. O único interesse de vê-lo chama-se Meryl Streep, uma atriz que pode recitar durante duas horas um texto de Gerald Thomas e fazê-lo ficar interessante. Talvez ela não seja o único motivo por, assim dizer, já que o mesmo posso falar de um ator de qualidade, e que anda bastante sumido do cinema desde Os Infiltrados, como Alec Baldwin. Além disso, ninguém é mais fã de Steve Martin do que eu, tendo visto absolutamente tudo que ele fez, o colocando ao lado de Billy Cristal e Bill Murray como um dos melhores comediantes de minha geração.


Em outras palavras, eu tinha mais do que razão para suprir o meu preconceito, somando o fato que gostei do último filme da diretora O Amor não tira férias, embora também tenha algumas restrições. E a historia da mulher de meia idade que consegue reconquistar o marido que a trocou por uma mais nova (sempre as vilãs desses filmes) ao mesmo tempo em que desperta o interesse do próprio arquiteto, embora não seja nova parecia ter algo de inteligente para atrair um elenco tão talentoso. Ledo engano! Meu problema com esse filme é o tom “perfeitinho” que a diretora coloca. Absolutamente todos os personagens têm uma vida estável, um trabalho excelente nos quais são os donos, mas que raramente são vistos trabalhando – é até estranho perceber que a personagem de Streep apareça dando várias ordens e organizando a cozinha para nunca mais aparecer no trabalho. Peraê, ou ela é uma pessoa ocupada ou não. Será que dá pra decidir?


Alem disso as mulheres do filme são as maiores malas sem alça que um homem poderia ter ao seu lado. À começar pelas amigas insuportáveis de Streep que se reúnem em sua casa para beber e ficarem gritando a cada historia sobre sexo (sempre), lembrando aquelas tramas idiotas dos filmes de sacanagem que passam no Telecine Action. As personagens são tão insossas que a própria diretora não teve pena nenhuma de sumir com elas ainda antes do meio do filme. Não me surpreenderia de ver a Suzana Vieira no meio desse circulo de amizades que mais parece um American Pie dos cinqüentões.


As duas leitoras mulheres desse blog que me perdoem, mas tem que se odiar um filme desses. Para Meyers pessoas de meia idade são todas divorciadas e só pensam em transar com alguém para depois contar para o psicólogo que os trata há anos. Alias, todos tem o seu psicanalista, assim como uma casa maravilhosa, uma família excelente e feliz – que dão ataques de pelanca sem razão – se entopem de remédios com todo bom americano, e podem comer de tudo a qualquer hora sem se preocupar com peso ou colesterol. E por que diabos o elenco inteiro do filme aparece comendo em praticamente todas as cenas do meio para o final? Não estou de brincadeira não, reparem quantas vezes eles aparecem comendo nesse filme. Conseguiram ganhar até mesmo do filme onde Meryl realmente é chefe de cozinha (neste aqui ela é uma padeira, que criatividade).


Mas e a história? Vamos lembrar que essa é a mesma mulher que nos enrolou durante duas horas em Sintonia do Amor e Mensagem pra você para lá pelo final fazer seus personagens “esbarrarem” uns nos outros e se apaixonarem. Alias, aqui está outra diferença gigantesca dela para Woody Allen: todos os filmes de Meyers têm finais felizes por mais improváveis que eles sejam. Neste aqui, mesmo depois de fazer merda atrás de merda, a personagem de Meryl vem nos convencer em duas simples cenas que “não teve culpa nenhuma”. Tá achando que eu sou otário? Você acha que eu não vi o filme? Não foi você que deu pro ex-marido? Não foi você que cozinhou, e dançou, e deu o maior mole pro cara o filme todo? Às vezes, da tanta raiva de um filme assim e só me resta torcer contra aqueles personagens perfeitinhos. Rezar pra que apareça um personagem de Michael Bay explodindo uma casa ou coisa assim.


Essa resenha foi mais um desabafo do que uma analise que costumo fazer sobre os filmes, eu sei, mas foi pra isso que criei o blog e se você não concorda não tem problema. Ainda assim vou continuar com minha opinião que este filme é um lixo (apesar dos excelentes atores), escrito e dirigido por uma pessoa limitadíssima e com uma visão de mundo no mínimo boçal. Alem disso, vou aproveitar essas últimas linhas para me prometer NUNCA mais pensar em ver um filme de uma cineasta como Meyers, que há anos na indústria não conseguiu evoluir em absolutamente nenhuma técnica de como contar uma boa história. Estamos carentes exatamente disso, de boas tramas. Boas comédias românticas! Por isso nos acostumamos a aceitar qualquer coisa se o elenco for de confiança. Infelizmente a realidade do lado de cá não é tão perfeita como o mundo dessas criaturas alienadas.


FILME MULHERZINHA PROBLEMATICA:

Alguém tem que ceder (2003), da mesma pessoa que dirigiu esse ai. É triste ver esse filme, pois gosto muito de Diane Keaton e Jack Nicholson, mas convenhamos que a história é praticamente idêntica à esse novo filme. Só que no caso deste predecessor, não tem problema uma senhora de idade namorar o Keanu Reeves já que no mundinho de uma mal amada os homens é que são os opressores. Graças à elas é que um Oscar foi parar nas mãos de uma ex-stripper metida a moderninha. Sua hora vai chegar também, Bay!



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