Educação (an Education), de Lone Scherfig. Com Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Rosamund Pike e Alfred Molina.
Vamos deixar uma coisa bem clara: não, eu não curto somente filmes com tiros e explosões. Ate entendo quem não me conhece e lê esse blog pode pensar isso com base nas últimas resenhas. Se tem sangue é bom, se tem mulheres discutindo assunto de cabeleireiro é ruim. Não é bem assim (Leia em breve a resenha de Preciosa e vai ver como não é mesmo). A questão é que ultimamente os filmes cabeça que eu tenho visto realmente tem deixado a desejar, e tem coisas que só uma cena de ação resolve. Veja por exemplo este filme aqui. Elogiado pela critica, escrito pelo excelente Nick Hornsby (Um Grande Garoto) e com a revelação Carey Mulligan, indicada ao Oscar por seu trabalho. Deve ser bom, certo? Não poderia estar mais errado. É por isso que eu acho que alguns filmes realmente me não fazem o menor sentido para mim.
No caso deste aqui, por exemplo, você acompanha durante uma hora e meia a historia de uma menina que claramente está fazendo tudo errado enquanto tenta te convencer que está certa. Então, perto do final, tudo que você já sabia acontece e o filme passa a te dizer o contrário, que o certo não era bem aquilo. É mais ou menos como se alguém tentasse te convencer a tomar café, porque faz bem para sua circulação sanguínea e coisa e tal, e depois de um tempo te dissesse que o mesmo produto é viciante e um dia vai te matar. Ou a mesma ladainha que escutamos sobre o ovo ou o leite todos os anos de nutricionistas sem imaginação. Simplesmente não faz sentido!
Pois essa é a historia de Jenny, uma menina de 16 anos (vivida por uma atriz de 23) que está prestes a se formar e, forçada pelo conservador pai, tenta passar para uma universidade conceituada na Inglaterra. Como num conto de fadas conhece um sujeito com o dobro de sua idade que à principio tem os mesmos interesses que a menina, mas logo revela estar apaixonado por ela. É quando a menina começa a descobrir novas perspectivas de uma vida que parecia pragmática e delineada demais para ser vivida. Se você não viu nenhum defeito nessa trama e deseja realmente dar uma olhada no filme, por favor, não pare de ler ainda.
É obvio que a tal educação que o titulo se refere provem da nova vida que a moça descobre. É obvio que “só estudo e nenhuma diversão fazem de Jack um bobão”! Só o que não parece obvio – e no meu caso, extremamente incomodo – é o fato de todos agiram numa boa com um relacionamento e eventual casamento entre uma criança e um adulto em plana sociedade ultraconservadora inglesa. Será que ver uma menina de 16 anos beijando e dormindo com um sujeito de 35 só é estranho para mim? Que diabos de filme é esse que nem mesmo toca na palavra pedofilia, ao mesmo tempo em que faz parecer que não ir para uma universidade de ponta é um crime hediondo?
Alem disso, nada realmente parece acontecer no filme enquanto ele insiste em mostrar como algumas futilidades são o divertimento necessário para uma jovem. Tudo bem, o roteiro é baseado nas memórias de uma mulher de carne e osso (e como já disse antes, a ficção é sempre mais divertida que a realidade), mas existe mais na vida do que simplesmente beber e perder um cabaço. Se uma menina de 16 anos não consegue perceber isso, mesmo sendo uma pessoa de carne e osso, me desculpe, mas não merece ter um filme elogiado neste blog (quer ver um filme sobre uma mulher de verdade? Veja Preciosa!).
Existe uma coisa de bom nesse filme, e seu nome é Carey Mulligan. A atriz que há dois anos era uma simples garçonete em Londres é uma grata surpresa e consegue mostrar uma personalidade imensa e destreza de adulto em meio a atores como Alfred Molina, Peter Sarsgaard e Emma Thompson. Em uma cena em particular, em que tenta dizer que acabou de passar a melhor noite de sua vida para a mãe, a menina não recebe nem mesmo um olhar interessado ou curioso da mesma. A cena mostra claramente a falta de dialogo com a família e comprova que tudo de errado que ela faz no filme é uma burrice da própria cabeça – o que só não transforma a personagem numa completa imbecil porque toda unanimidade também é burra.
Talvez eu não tenha entendido muito bem, ou então eu entendi bem demais. Ou quem sabe a verdade é aquela que eu disse lá no começo do texto: esse filme simplesmente não faz sentido. E mesmo que o filme não tivesse uma reviravolta no terceiro ato e, como eu disse, mostrasse que tudo que ela lutou e decidiu fazer realmente não faz sentido, nada poderia salvar uma trama com uma personagem vazia internamente e completamente avessa de alguma identificação por minha parte. Nada poderia salvar! Nem mesmo tiros e explosões, o que prova que sem uma boa historia um filme não passa de simples passa-tempo. E por isso é que eu não vejo diferença nenhuma entre essa produção e um filme da Tizuka Yamazaki.
Algo tão obvio que não entendo como o cinema ainda não assimilou depois de tantos anos. E mesmo não tendo a educação de menina “rica mas entediada” inglesa, não preciso de nenhum critico para me dizer que esse filme é uma besteira que não merecia a indicação que ganhou para melhor filme. Alias não precisa ser nenhum gênio para perceber isso. E assim encerro a nossa humilde lição de hoje.


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