terça-feira, 9 de março de 2010

“Guerra ao Terror” merece ser chamado de Melhor Filme?

Há alguns anos dois filmes tão diferentes não dividem a opinião de crítica e público. Aqui estão algumas delas. O que será que os meus 6 (sim, ganhei mais um) leitores pensam? Deixem suas opiniões:


"Estou desapontado. Daqui há um tempo, vou ver o filme de novo. Não antes de ver os outros contenders. Quero ver se reparo em no mínimo algumas das profundidades e nuances que você mencionou na resenha dos Ratos. Em suma, NÃO ACHEI UM FILME DIGNO DE PRÊMIOS. Não achei sequer algo do tipo "medalha de prata, teria ganho se não fosse esse aqui no mesmo ano". NÃO. Achei, literalmente, um filme que não deixa legacy, não faz nada demais."

PEDRO COELHO


"Primeiramente, “Guerra ao Terror” teve um grande empurrão por trás. Foi distribuído pela Summit, um estúdio que fez muito dinheiro com “Crepúsculo” e queria ser levado a sério em Hollywood. Bem no início, a Summit contratou Cynthia Swartz e seus soldados para ajudar na campanha do Oscar. Swartz foi fundamental para as campanhas vencedoras de “Chicago”, “Crash” e “Onde os Fracos não têm vez”. Ela gosta de desafios impossíveis. (...) O trabalho começou em convencer primeiramente os críticos americanos. O filme não tinha ido bem em premiações – competiu ano passado no Indie Spirits, por exemplo, e só conseguiu indicações para os atores."

TOM O'NEIL – blog “the envelope”


"(...) a vitória de Guerra ao Terror é repleta de uma ironia profunda. Há 18 meses a mesma indústria que escolhe os Oscars vem, deliberadamente, condenando à extinção o tipo de cinema que Bigelow, Boal e seus bravos produtores representam: o cinema de visão, feito com inteligência e, portanto, com respeito à inteligência da platéia. Para filmes assim os últimos dois anos tem sido uma via crucis de recursos minguados, de esforços tremendos para levantar fontes de financiamento e assegurar qualidade de produção em orçamentos cada vez mais restritos. Não creio que esta bela vitória – à qual se somam os dois Oscars para Preciosa, realizado em circunstâncias iguais – vá mudar substancialmente este cenário. Mas pode ser um sopro sobre as brasas, o início do retorno de um cinema independente mais saudável, para o qual novas possibilidades e recursos se abram. Quando o cinema independente fica mais forte, a indústria fica menos burra – sente-se desafiada, obrigada, por honra profissional, a fazer o melhor de si, a procurar histórias e talentos fora de seus estritos interesses corporativos. Foi assim nos 1990, foi assim nos 1970. Pode ser assim de novo."

ANA MARIA BAHIANA


"Existe uma ideologia por trás do filme ter levado. Hollywood precisa investir em filmes pequenos e não em gigantes milionários que em sua maioria receberam críticas ruins nesse ano, vide Harry Potter e Transformers. Acho sim, uma nova espécie de Platoon. Achei um filme muito diferente e sem duvida, um filme de denuncia sobre um tipo de vicio que poucos percebem que existe. (na verdade, o último filme que falou sobre isso com excelência, se bem me lembro, foi Rambo 1 e menções em Soldado Anônimo). A verdade é que só nos estados Unidos as pessoas parecem ter realmente gostado do filme. (...) Em todo o resto do mundo, Avatar arrebentou recordes de público e até crítica. Mas transformar o filme num novo Titanic, vai ser dar mais poder a um semi-Deus do cinema. E você realmente acha que ele precisa disso? (...) Cameron vai continuar fazendo o que quer e não importa o quanto custar. Era a hora de Bigelow, era a hora das mulheres, até porque a gente deve sempre lembrar que Cameron vislumbrou o filme inteiro mas era cercado de milhões de pessoas garantindo que isso aconteceria. Ela fez de tudo com apenas 7 milhões."

MARCELO CYPRESTE


"Pensando com calma, talvez “Avatar” nunca tivesse realmente a chance de vencer “Guerra ao Terror”. Nenhum filme de ficção-científica venceu Melhor filme. Somente dois foram indicados: “Guerra nas Estrelas” e “E.T.”. “Bastardos” tinha uma chance porque ganhou melhor elenco no SAG (Associação de atores). (...) Pensando com calma, acho que “Bastardos” era o único filme que poderia ter vencido “Guerra”."

TOM O'NEIL


E a polêmica continua.

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