Meus caros 6 leitores, durante essa semana estarei em São Paulo trabalhando em uma nova produtora, realizando novos trabalhos e por isso talvez o blog não seja atualizado com a frequência que vocês se acostumaram. Em breve, porem, tudo voltará ao normal.
Sede de Sangue (Thirst/Bakjwi), de Chan-wook Park, com um elenco coreano bem talentoso.
Em pré estréia
Não é de hoje que o novo cinema coreano vem firmando seu nome na escala mundial, principalmente com produções ousadas, que desafiam clichês, ao mesmo tempo que redefinem e abusam da violência. Acima de tudo, desde Oldboy (do mesmo diretor deste aqui), O Hospedeiro, e o recente O Caçador, todos desafiam seus gêneros a serem mais realistas e a exprimirem mensagens humanas. Pronto, agora que fui extremamente técnico e centrado, poderei ceder para meu lado cinéfilo. Se vocês estão procurando uma produção de qualidade no cinema, e não se importam com litros de sangue e muita violência gráfica, este é o seu filme. Desde já, em minha opinião um dos melhores deste ano, e um dos melhores filmes de vampiros já realizados, no estilo Deixe ela entrar e Fome de viver.
A história começa quando um padre se voluntaria para servir de cobaia na tentativa de achar a curar para uma doença africana que vem exterminando tribos inteiras. Assim como ele, outros 50 homens passam pelo mesmo processo e morrem. Ele também chega a morrer, mas sofre uma transfusão de sangue que não só salva sua vida, mas faz a doença desaparecer temporariamente. Logo ele percebe que se tornou intolerante ao sol e a comida convencional. Pior ainda, começa a sentir vontade de beber cada vez mais e mais sangue humano – o que se mostra uma punição já que trabalha num hospital publico bem movimentado. É quando conhece uma jovem e sua família e se apaixona. A partir daí a história toma a cada 30 minutos um rumo diferente, o que transforma a produção num filme forte, sem duvida, mas nunca tedioso. É um filme sobre como nos deixamos iludir pelo poder e a estética a ponto de deixarmos de ser quem realmente deveríamos, ou mesmo quem um dia fomos. Meninas histéricas deveriam gritar é para ver este aqui.
Coração Louco (Crazy Heart), de Scott Cooper, com Jeff Bridges, Maggie Gyllenhaal, Colin Farrell e Robert Duvall
Em cartaz
A história de Bad Blake poderia muito bem se chamar “homem morto andando”. O sujeito, vivido por Bridges, a cara do Nick Nolte, está incuravelmente doente e seu corpo já não aguenta mais. Um médico chega a listar todos os males (que incluem enfisemas, câncer e, obviamente, o alcoolismo) que eventualmente o levarão à morte prematura. É a hora dele tomar uma decisão. E um filme que poderia terminar explorando toda essa dor e sofrimento (e garantir de vez aquela clássica cena de morte onde o Oscar ficaria indiscutível para Bridges), tudo que já vimos milhões de vezes antes, toma um rumo diferente e opta por mostrar outra faceta de um ser humano que aprende a conviver com sua morte, se souber viver com dignidade. Tudo muda depois que ele conhece a repórter Jean (a sem sal, mas talentosa Gyllenhaal) e seu filho. Destaque também para a sempre excelente mas cada vez mais secundaria participação do maravilhoso Robert Duvall e a humilde e reveladora faceta country de Colin Farrell.
Dificil mesmo é não sair cantarolando algumas das músicas feitas especialmente para o filme e que rendeu um merecidíssimo Oscar à fulano – a razão de Bridges ter topado fazer o filme já que havia recusado, mas quando soube que ele faria a trilha, voltou atrás. As áridas e desérticas paisagens que permeiam o filme são quase como uma metáfora para o vazio e solitário mundo do personagem. Mas é também neste vazio que ele se encontra em casa. Em certo momento quando aceita fazer um show em uma cidade grande, podemos perceber como Bad se sente desconfortável, quase como se estivesse em território desconhecido.
O filme se torna uma produção leve sobre um assunto pesado. Não é o chute no estomago como Despedida em Las Vegas, e não tem uma lição de moral apesar de seu final “feliz”. É a historia de uma paixão verdadeira, mesmo que a história de Bad Black não seja. É a historia de um sujeito que encontra em cada cidade que vai uma “fã” com o sonho de levá-lo para a cama, mas no momento em que bate o olho na mulher certa não pensa em abrir mão de poucos minutos ao seu lado. É um filme sem vilões, onde mesmo seu maior rival é seu maior fã. É um filme sem estereótipos e sem falsas modéstias, que parece começar e terminar durante mais um dia na vida de um sujeito que não percebe o quanto é genial. É um filme com coração, e mesmo que ele seja louco, é um dos raros de se encontrar por ai.
Atraidos pelo Crime (Brooklyn´s Finest), de Antoine Fuqua, Com Don Cheadle, Ethan Hawk, Wesley Snipes e Richard Gere.
Do mesmo diretor de Dia de Treinamento, este filme (por favor, esqueçam o titulo em português) também é focado no dia a dia de policiais honestos e corruptos que vivem no Brooklyn, o bairro mais misturado de Nova York. Em mais uma trama-mosaico em que as histórias de cada um se cruzam de maneira bem discreta e quase estúpida (o que alias me leva a pensar que esses deveriam ser curtas que foram reunidos em um longa), as vidas de três policiais são colocadas em destaque. O primeiro (Cheadle) está infiltrado em uma gangue e pede para sair ao começar a perder o “senso de certo e errado”. É claro que ele será convencido a realizar “uma última missão” que envolve um “amigo de infância” que volta a liderar uma gangue local (Snipes, mostrando que ainda é bom ator e não só astro de ação).
O segundo (Hawk), um policial amargurado que precisa sustentar uma mulher doente e dezenas de filhos (é até engraçado pois cada vez que surge uma cena na casa do personagem, um filho novo do sujeito aparece). Ele começa cada vez mais se sentir tentado a roubar dinheiro de provas ou extorquir criminosos – um contraponto interessante de seu personagem em Dia de Treinamento. O terceiro (Gere), e o mais interessante, um policial prestes a se aposentar que simplesmente não liga para nada. É claro que nos últimos dias em que estiver na força, vai começar a se importar com as vidas de jovens que ele poderia salvar. Como fica claro, a produção não tem nada de inovadora, mas é um bom drama embora soe irreal algumas vezes. Alguns personagens são tão caricatos que dá vontade de rir (vide o papel que deram para Ellen Barkin). Ainda assim, algumas cenas em especial valem uma olhada, e destaco a inicial em que dentro de um carro Hawk conversa com um corrupto policial vivido pelo excelente Vicent D´Onofrio. Bom passa tempo, mas para por ai.


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