Atendendo aos pedidos de alguns leitores anônimos (nem tanto para mim), resolvi retomar o blog ressuscitando os velhos topicos que faziam a alegria da galera na sexta feira. Pois agora eles servirão para classificar as mini-resenhas dos blockbusters que ainda se encontram em cartaz Brasil a fora. Em breve, mais do blog para vocês, ratos exigentes.
Pode ver sem medo
Kick-Ass – Quebrando Tudo, de Matthew Vaghnn. Com Aaron Johnson, Chloe Moretz e Nicolas Cage
A não ser pelo subtítulo imbecil que a distribuidora fez o favor de colocar, tudo no filme do diretor de Stardust é perfeito. A começar pelo universo realista embora absurdo em que o filme se passa, passando por seu sublime elenco de jovens atores e alguns nem tanto. Para quem não sabe, Kick-ass é baseado fielmente na revista em quadrinhos de Mark Millar, o mesmo autor (e repare bem a semelhança no tom) de Wanted – O Procurado. Mesclando com inteligência humor, drama e muita ação, a produção conta a história de um nerd que acredita ser capaz de transformar-se em um super-herói de verdade somente para lutar contra a apatia dos que decidem não fazer nada (continuam roubando a minha idéia do Cão de Guarda). Só que ele acaba caindo de pára-quedas no meio de uma vingança liderada por uma dupla de heróis bem violenta (Cage e Moretz).
Pra começo de história, Kick-ass é diferente de tudo que você já viu. Adolescentes falam como adolescentes e não como autores de novelas Globais. São poucos os clichês e mesmo aqueles existentes só ajudam a reforçar a inteligência da trama. O filme é brutal, engraçado, mas acima de tudo muito divertido. É a prova que o tema dos “heróis” pode estar massificado, mas de nenhuma maneira desgastado. E assim como poucos, merece a continuação que está sendo preparada para 2012. E eu que não acreditava quando diziam que Matthew Vaughnn era a cabeça pensante por trás do sucesso inicial (e únicos filmes de qualidade) de Guy Ritchie. Não é que quem disse isso estava certo? Kick-ass mostrou ser um dos melhores títulos deste fraco ano para quem gosta de entretenimento de qualidade.
Robin Hood, de Ridley Scott. Com Russell Crowe, Cate Blanchett e William Hurt
Quando soube que Ridley Scott estava interessado em filmar a clássica e já batida história de Robin de Locksley, eu vibrei (podem conferir minha lista dos filmes mais esperados de janeiro de 2009). O motivo foi a idéia original pela qual o diretor pretendia abordar a lenda. Ele não iria somente contar a historia do fora-da-lei, mas sim, contá-la pelo ponto de vista do xerife de Sherwood, onde Robin é na verdade o vilão. Ambos os papeis seriam interpretados por Crowe e o filme teria o nome de Nottingham. Um ano se passou, roteiristas entraram e saíram e muita coisa mudou de lá pra cá. O filme trocou de nome e de trama. Nesta nova versão – não menos eletrizante – Scott decidiu não repetir a mesma narrativa dos outros filmes sobre o mítico herói.
O filme se presta a mostrar como nasceu a lenda de Robin Hood, o sujeito que roubava dos ricos para dar aos pobres – frase clássica que alias nunca é dita no filme, por um motivo mais do que obvio de acordo com a linha do diretor – este é um filme sobre a origem e não sobre a lenda. Partindo deste principio, a trama toma certas liberdades para encaixar e justificar algumas questões que nunca ficaram claras em filmes anteriores, mas principalmente, narrar uma aventura inédita do herói contra um vilão pouco conhecido daqueles que nunca leram sua verdadeira historia, a qual o filme se baseia. Só por isso a produção já vale, embora não podemos esquecer que estamos falando de Ridley “criador de mundos” Scott, um sujeito capaz de contar uma historia sempre pé no chão e com um nível de detalhismo que beira o perfeito. Embora não seja o filme que eu estive curioso de ver (e que espero um dia ainda ver), o novo Robin Hood, está longe de ser o tédio que alguns críticos fizeram questão de vender.
Homem de Ferro 2, de Jon Favreau. Com Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow e Mickey Rourke.
Logo no começo do ano eu publiquei uma lista de filmes que mais esperava e menos espera para esse ano. Coloquei Iron Man 2 na segunda. Não queria me enganar. Afinal de contas, depois de ver um trailer extremamente bobo fiquei pensando se o diretor Favreau seguiria a risca o manual das continuações. A resposta que tive também não foi nada boa. Vamos entender: se no primeiro o vilão só aparecia no terceiro ato, e ainda assim, era sustentado por um Jeff Bridges camaleônico dentro de uma armadura gigantesca, neste aqui tivemos que nos contentar com um Rourke usando roupa de gari dando chicotada pelas ruas de Mônaco (!!!). Mas pra nossa sorte, o novo filme sobre o herói enlatado não errou a mão. Se o filme tem um ritmo mais controlado e poupa um pouco na ação, sem dúvida a razão de ser tão bom quanto o primeiro é o seu protagonista – que assim como em Homem-Aranha 2 e Cavaleiro das Trevas merecia ter o nome Tony Stark no titulo ao invés de Homem de Ferro, o que seria mais justo já que aparece mais que o alter-ego.
A trama não é tão boba quanto parece e os novos personagens conseguem arrancar boas interpretações e um relativo espaço para se desenvolverem em tela. O destaque vai para o sempre “ladrão de cenas” Sam Rockwell, como grande adversário e concorrente de Stark. Rourke faz o que pode com seu papel, embora passe a maior parte do tempo construindo a reviravolta que toma conta do terceiro ato e garante as cenas de ação necessárias para uma produção do gênero. Apesar de uma derrapada aqui e outra ali, o filme consegue ser bem divertido e uma continuação digna para um filme pouco acreditado até mesmo pelo próprio estúdio. Como disse naquela resenha do começo do ano, o filme “teria que me provar” que mereceria um bom comentário da minha parte, e graças a um elenco inspirado e um diretor cada vez mais seguro ele conseguiu e com louvores. Que venha o terceiro.
Vá por sua conta e risco
Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo, de Mike Newell. Com Jake Gyllenhaal, Bem Kingsley e Alfred Molina
Baseado num dos primeiros jogos de computadores e que hoje faz sucesso nos consoles mais avançados, Prince of Persia, o jogo, tinha uma historia bobinha e fácil de entender visto que esse não era o seu maior trunfo – e sim as difíceis portas dente de aço que desciam e subiam e os incríveis saltos que o personagem era capaz de dar. Ainda assim, pouco sobreviveu do personagem e do jogo original em sua transposição para a tela grande. A produção de Jerry Bruckheimer (tentando obviamente copiar o sucesso que fez em Piratas do Caribe) é graficamente mais próxima das versões atualizadas para os vídeo games. Estão lá desde referencias claras (os personagens realmente se parecem com os do jogo), a detalhes mais nerds (os golpes e saltos típicos). Tudo feito e planejado para dar certo. Desde o elenco aos poderosos efeitos visuais e sonoros. O problema pra mim foi a escolha do maestro que deveria conduzir a trama. Newell, diretor de Closer e Quatro casamentos e um Funeral, é um grande diretor de atores, o que fica muito claro nas fraquíssimas e repetitivas cenas de ação (e no pífio uso do parkour).
Não que o filme seja de todo ruim. Na verdade, por ter um elenco que conta com nomes como Bem Kinsley e Alfred Molina, a produção sempre ganha quando ambos entram em cena. O primeiro se restringe a criar um vilão contido e manipulador, mas bem inteligente e interessante. O segundo serve mais como alivio cômico, e como tem pratica na coisa, tira suas cenas de letra. Mas um dos fatores que mais me atraiu na produção foi assistir a mais uma interpretação inspirada do talentoso Jake Gyllenhaal, o qual eu venho elogiando desde o soberbo Donnie Darko, e que coloco ao lado de Edward Norton, Heath Ledger e Ryan Gosling como os grandes nomes da geração pos-teen (leia-se trintões) de Hollywood. Infelizmente, apesar de um excelente trabalho físico, Jake não pode fazer mais do que o roteiro burocrático e diálogos pra lá de sonolentos lhe permitiam. Fica ai o alerta. É um filme visualmente estonteante e arrebatador, mas seu conteúdo é obvio e vazio como um jogo de vídeo game. Nessa fábrica de sonhos comandada pela Disney parece mesmo que entrou areia nas máquinas.
Não faça isso com seu dinheiro
O Golpista do Ano, de Glenn Ficarra e John Requa. Com Jim Carrey, Ewan McGregor e Rodrigo Santoro
Pela milésima vez vou contra os milhares de críticos que elogiaram este novo e atrasado trabalho de Jim Carrey. Atrasado, porque o filme levou alguns meses – quase um ano – para ser lançado em algumas partes do mundo, inclusive os EUA (já tinha saído na Europa sem muito alarde). O motivo porem não é só a questão homossexual que o filme trata (muito preconceituosamente, diga-se de passagem), mas o fato da produção não ser exatamente um comédia e por isso, ser difícil de vender para um publico que sabe muito bem o que esperar de Carrey. O resultado fica em cima do muro. A produção parece claramente remendada (existem cenas no trailer que foram cortadas desta versão) para fazer o publico ter mais material de comédia para se divertir. Não me surpreenderia nada saber que o estúdio tenha refilmado algumas cenas para deixá-las mais engraçadas, o que prova que, literalmente, essa não é uma produção que poderia acabar bem (como prova o patético take final)
A historia “real” (se você quiser acreditar em Hollywood) de um golpista homossexual que vive de mentiras e golpes para sustentar seus amantes gays é na verdade mais uma ponte para Carrey mostrar que é um grande ator (e realmente é) e para fazer caretas e poses que tiram totalmente a seriedade de um filme como esse. É o mesmo que Adam Sandler tentou fazer em Click, onde no terceiro ato, o filme se torna um drama sentimentaloide mesmo depois de cenas que beiram a escatologia pura. Portanto é um absurdo dizer (mesmo com interferência ou não de estúdio) que a dupla de diretores sejam “os novos irmãos Coen”, visto que esses sempre fizeram comedias alfinetando a sociedade americana sem precisar abusar de artifícios tão chulos e boçais. Se existe uma coisa que valha uma olhada no filme é a excelente atuação de McGregor que quase convence como a mulher da relação. O resto é perda de tempo e dinheiro.





2 comentários:
Primeiro vou comentar só pra agredecer pelo retorno do blog, uma vez que um dos pedidos foi meu. rs. Depois comento so filmes. Mas aaaah....pq não resisto, não me surpreende em nada a resenha do filme do Jim Carey estranho seria se pra variar este tivesse feito alguma coisa que preste.
Eu até acredito que ele faça bons filmes, mas ultimamente, tenho que reconhecer que não foram boas produções. Quase dormi em todas as vezes que tentei ver "OS Fantasmas de Scrooge".
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