Persons Unknown, criado por Christopher McQuarrie
Imagine a cena: Você acorda em um quarto de hotel que não conhece. Sua porta esta trancada e uma câmera observa todos os seus movimentos. Você consegue sair do quarto e percebe que não está sozinho. Que pessoas comuns, como você, sem a menor ligação umas com as outras procuram por respostas de como foram parar naquele lugar. E se você descobrir que está em uma cidade no meio do nada e que não pode sair. Pior ainda: e se aquelas pessoas ao seu lado não forem exatamente quem dizem ser? Parece um pesadelo? Algum filme que você viu? Pois é quase.
Essa é a historia da mais nova criação do brilhante roteirista Christopher McQuarrie, escritor de Operação Valquíria, A Sangue Frio e vencedor mais do que merecido do Oscar por seu trabalho em Os Suspeitos. Não sou muito de ficar falando de seriados de TV por aqui, até porque o nome do blog é Ratos de Cinema. Mas existe uma premissa muito forte e influenciada pelo cinema nessa mini-série em 13 episódios, criada por um sujeito, que convenhamos, tem bastante talento.
O primeiro episódio é um primor de como se estruturar um roteiro de suspense. A história é tão bem elaborada que te coloca praticamente ao lado dos personagens, revelando de cinco em cinco minutos uma nova porta que os leva para lugares cada vez mais misteriosos. É um dom que poucos roteiristas têm de revelar sua trama, personagens, ou mesmo o cenário, sem necessariamente precisar que alguém fale alguma coisa. Lembra um pouco aqueles excelentes filmes policiais dos anos 70 como A Conversação ou Os Três dias do Condor, onde pouco era dito e muito sobre a trama era mostrado, respeitando a inteligência de seus expectadores.
Infelizmente não posso me estender muito falando da trama. Vejam e confiram por si mesmos. Vale a pena sempre apreciar um material inovador que, mesmo não destinado originalmente para a telona, apresente a qualidade que nem sempre encontramos nas duas horas da sala escura. O maior exemplo disso, e outra desculpa para se assistir ao programa, é como os diálogos são realmente interessantes e não soam como frases fechadas em um papel, mas sim como pessoas de verdade.
E se você rapidamente pensar na influencia da série Lost, obviamente não estará errado, mas o grande trunfo deste aqui, é que ele tem um final certo. E acima de tudo, se analisarmos o histórico do criador, extremamente coerente e pé no chão, o que não garante que seja feliz (dificilmente em um filme do sujeito, o mocinho termina vivo). McQuarrie costuma sempre fazer produções fechadas (com pouquíssimos furos), sem nunca apelar para o sobrenatural. Tudo é respondido, o que promete agradar aqueles que ficaram órfãos de Lost depois de um final covarde e sem nexo.
Eu diria, na verdade, que a maior influencia está na chocante e brutal trilogia japonesa intitulada aqui de Batalha Real, onde alunos de uma escola são seqüestrados e jogados numa ilha, forçados a se matarem até que só reste um vencedor. Obviamente, McQuarrie aliviou bastante da violência (mas nem tanto) e cautelosamente alterou alguns pontos da trama. Não chega a ser uma refilmagem, mas o mais próximo do que Hollywood pode fazer do excepcional filme oriental. Assitam e depois me digam se você também não mataria seu vizinho para sair dali.
1 comentários:
Eu ja estou ligeiramente arrependida de não ter feito essa pergunta antes. Mas isso é definitvamente uma mini serie, né?!?!?!?!?!?! Pq se eu ficar 5 anos pra saber que diabos essas pessoas malucas estão fazendo trancadas naquela cidade fantasma, eu juro, nem sei o que faço com vc!!!!
No mais ja assisti aos 4 episodios, gripping, interessnte, contanto que seja curto. rs
saudade!
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