Pode ver sem medo
You don´t know Jack (idem), de Barry Levingson. Com Al Pacino, John Goodman e Susan Sarandon
Em cartaz na HBO
Lançado originalmente na televisão americana, este novo filme do mesmo diretor de Rain Man e Mera Coincidência mostra a força de um novo mercado que vem crescendo consideravelmente nos EUA, o dos filmes e seriados feitos exclusivamente para o restrito publico dos canais a cabo (na terra do Tio Sam eles não são tão restritos assim, é verdade). Mais uma vez Al Pacino encarna um personagem que o cinema não tem lhe oferecido há algum tempo, assim como fez no brilhante Angels in America, o ator consegue mais uma vez se reinventar. Desta vez, ele deixa os gritos histéricos – que lhe marcaram durante anos de carreira – de lado para viver o contido e controverso doutor Jack Kevorkian, mundialmente conhecido como Doutor Morte. O sujeito que praticou e defendeu a eutanásia nos EUA durante anos, se apoiando na emenda constitucional que estabelece que cada um tem o direito de fazer o que quiser com a própria vida, inclusive terminá-la quando quiser.
Independente de concordar ou não com o tema (e em nenhum momento o filme toma um lado), a produção levanta a duvida da legalidade das ações do doutor de acordo com as leis americanas. É claro que a questão moral e religiosa são mencionadas, mas a grande discussão aqui é realmente se ele tinha ou não o direito de participar no suicido assistido de mais de 100 pessoas. E nesse quesito, Al Pacino novamente constrói com segurança os dois lados do homem que foi pintado como monstro pela imprensa e grupos religiosos. Alem dele, os coadjuvantes Goodman e Sarandon também não fazem feio (e como poderiam?), mas o destaque mesmo fica com a irmã do sujeito, vivida por Brenda Vaccaro (de Midnight Cowboy) e pelo pomposo advogado, vivido por Danny Huston. O final, embora real, coloca lado a lado a situação do doutor e do advogado em cheque graças as suas atitudes precipitadas e egoístas.
Os Perdedores (The Losers), de Sylvan White. Com Jeffrey Dean Morgan, Zoe Saldanha e Chris Evans
Estréia agendada para o dia 1 de Janeiro
A cena é clássica: Um sujeito precisa entrar em um local e seu amigo está do outro lado. Ele bate na porta e o amigo pergunta “qual é a senha?”. O sujeito, fala qualquer coisa – geralmente uma ameaça ou xingamento – e o amigo completa com um “senha correta”. É esse o ritmo chupado dos anos 80 que se segue a trama de Os Perdedores, do mesmo diretor do terceiro filme da série Eu sei o que vocês fizeram no verão Passado (você sabia que isso existia?). A trama poderia muito bem ser o roteiro rejeitado de Esquadrão Classe A ou mesmo Missão Impossível, mas a fonte aqui foi a obscura graphic novel (fontes de idéias de Hollywood que estão na moda) de Andy Diggle. Na trama, um grupo de mercenários da CIA é traído em sua ultima missão e são dados como mortos em algum canto da Bolívia. Com a ajuda de Aisha (Saldanha), eles descobrem uma maneira de limpar seus nomes e deter um terrorista que possui uma arma nuclear que não faz mal ao meio ambiente (!!!).
Os clichês e absurdos (acredite, são muitos) que poderiam transformar o filme em mais um pastelão datado, na verdade ajudam a história absurda a fluir com leveza e rapidez, algo mais do que apropriado para um passatempo completamente esquecível, mas surpreendentemente divertido. O elenco parece não levar nada à sério - destaque para Chris Evans (o novo Capitão America e eterno Tocha-Humana do Quarteto Fantástico) que interpreta o sujeito que faz em todos os filmes, e o sempre competente Jeffrey Morgan (o clone do Javier Bardem). O destaque fica mesmo com o vilão extremamente caricato e sarcástico de Jason Patrick (que nada lembra os personagens durões de Velocidade Máxima 2, Sleepers e Narc, o que prova ele que deveria fazer mais comédias também). Esse personagem alis, por si só, já vale 70% da graça que o filme possui. Altamente recomendável para quem deseja passar uma tarde divertida no shopping.
Vá por sua conta e risco
Salt (idem), de Phillip Noyce. Com Angelina Jolie, Liev Schreiber e Chiwetel Ejiofor.
Em cartaz
Enquanto assistia Salt tranqüilo em minha cadeira de cinema, minha cabeça vagava formulando uma interessante teoria sobre alguns filmes de ação. Levando em consideração os bons e maus exemplos, o grande problema da maioria é que exigem de você muito e entregam pouco. Muitas vezes um filme do gênero tenta te convencer da veracidade de tudo aquilo, ao mesmo tempo em que, por mais absurdo que pareça, é fantástico exatamente por mostrar a superação do individuo que faz o impossível para se manter integro – e conseqüentemente cativar o publico a torcer por ele. Em teoria funciona. Até que eles mostram aquela cena idiota que o cinema inteiro gorjeia em uníssono um “tá de sacanagem!”. Há filmes que brincam com isso, que transformam a ação num pastelão proposital (o recente Os Perdedores é um exemplo) e há outros que conseguem superar o absurdo por pouco (a cena em que Matt Damon se joga do 15º andar, mata um vilão e cai amortecido pelo sujeito a sua frente em A Identidade Bourne). Pois bem, em Salt, há pelo menos uma dúzia dessas cenas.
Alias, nunca vi um filme jogar tanto sua protagonista em cima de alguma coisa. Quantas vezes ela tem que pular em cima de caminhões, carros, prédios, lagos, até você começar a perceber que essa história pode até ser baseada em fatos reais, mas é bem forçada? Jolie vive a personagem título que é acusada por um traidor russo de ser uma espiã infiltrada. Ela foge e depois foge, é capturada, foge, continua fugindo, pegam ela de novo e ela foge. Existe um resquício de trama entre uma fuga e outra, tudo desculpas para cenas de ação nada inventiva e algumas reviravoltas absurdas. Só não coloquei o filme no quesito mais embaixo porque era exatamente o que eu estava a fim de ver naquele dia. Se esse for o seu caso, vai se divertir. Mas vá sabendo que o filme é tão vazio quanto Sr. & Sra Smith (que pelo menos tinha uma ou outra cena engraçadinha). Mesmo assim, mesmo que você ame o filme, impossível não soltar mais de uma vez a clássica “tá de sacanagem!”.
Encontro Explosivo (Knight and Day), de James Mangold. Com Tom Cruise, Cameron Diaz e Peter Sarsgaard.
Em cartaz
Tom Cruise não aprendeu nada nos últimos anos de carreira. Depois de fracassar como espião em Missão Impossível 3 e como senador em Leões e Cordeiros, não pode dizer que teve muito êxito comercial também com Operação Valquíria. Quando perdeu a seriedade e resolveu rir de si mesmo transformou seu Les Grossman de Trovão Tropical numa das melhores caracterizações da comedia americana dos últimos tempos. Só pode ter sido pensando nisso que ele misturou um pouco as bolas e construiu essa comedia de espionagem, meio séria, meio pastelão, em que vive um sujeito perseguido pela própria agencia que trabalha enquanto tenta proteger uma fonte de energia alternativa e seu inventor.
Cameron Diaz faz (e muito bem) a clássica mulher que nada tem haver com a história, mas se vê envolvida depois de cruzar o caminho do sujeito e, obvio, se apaixonar. É tudo muito batido e milimetricamente planejado para alavancar a carreira do ex-astro que anda com a moral em baixa depois de algumas atitudes questionáveis que teve ao longo dos últimos anos. Até as reviravoltas não mudam muito as coisas em um filme morno de um diretor idem. Cruise tem lá os seus momentos, Cameron faz o melhor que pode, as cenas de ação são interessantes (embora nem um pouco inovadoras), mas o roteiro simplesmente não decola, e isso, para quem ainda não aprendeu em Hollywood, ainda é 90% de um filme. Fica a lição de que só com carisma, não se faz cinema de verdade.
3 comentários:
Eu vi o filme e não consegui uma palavra sobre de tão banal que é.
Qual deles, Alê?
Vi o "the losers" após ler a resenha. Bom! O clone do javier Barden me agrada. Alem de faer muito bem aos olhos. ainda não consegui ver "o inception".
De fato o Tom cruise...ai ai ai. Pelo menos não perdi dinheiro, só tempo. Maaas...fazer o que.
Na lista dos melhores do ano apoiadissimo no pequeno nicolaue no segredo dos seus olhos...ainda não vi os outros.
O Robin Hood...ja esta aqui, aguardando...rs
saudade!
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