quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Os melhores filmes de 2010

Tropa de Elite 2 (BRA)

Real, bruto e emotivo. Tropa 2 é um complemento perfeito para uma filmografia critica e denunciadora de um diretor extraordinário. Padilha e seus colaboradores mostram para toda a sociedade que o Nascimento que a mídia criou não é o mesmo sujeito falível que eles idealizaram. Neste filme o sujeito não ganha a mocinha, a fama, nem vence o inimigo no final, mas dispara no coração de todo cidadão as verdades e a responsabilidade que cada um tem como brasileiro. Seja em suas escolhas, seja em seus votos. E graças ao sucesso arrebatador do filme, ninguém mais poderá se esquivar dessa verdade, optando pela nossa brasileiríssima e alienante “apatia de massa”. Em outras palavras, fomos todos muito bem avisados.

Resenha: Metralhadora Giratória


O Segredo dos seus Olhos (ARG)

O filme que chegou de mansinho e sorrateiramente roubou um Oscar quase certo de A Fita Branca, não é somente fogo de palha. É um filmaço que prima pela qualidade técnica e atuações absurdamente realistas. Um filme que consegue ter não somente um grande personagem bem desenvolvido e rico em detalhes, o que o faz ainda mais realista, mas diversos, todos muitíssimo bem defendidos por atores extraordinários. Foi capaz de por de lado a besta rivalidade futebolística entre nossos dois países e conquistou de vez nossa platéia. Ricardo Darín, na minha opinião, é o melhor ator sul-americano vivo. Juan José Campanella, um brilhante condutor que fez um filme sem gênero. Ou de vários gêneros. E um final de um questionamento moral poucas vezes levantado, desta forma, no cinema.


Um Homem Sério (EUA)

Se eu começar a descrever exatamente o impacto que este filme causou em mim, precisaria de outra resenha sobre ele (alias, preciso confessar que relendo a mesma posso dizer, sem sombra de dúvidas, que foi a melhor que já escrevi, por ser também a mais pessoal). O último filme dos geniais irmãos Coen que chegou ao Brasil não causou o estardalhaço que Onde os Fracos não têm Vez (que, assim como esse, aparentemente só eu gostei), mas se visto pelos olhos certos, e com isso quero dizer, pelo olhar satírico de seus realizadores, consegue ser alçado a uma das obras primas do cinema moderno. A começar pela atuação de seu personagem principal, um desconhecido Michael Stuhlbarg (atualmente na série Boardwalk Empire) representando o senso critico dos dois diretores. Muito fácil olhar para um filme e dizer que ele é simplesmente uma única coisa (eu mesmo me policio para não cometer esse erro). E este aqui não é um filme fácil. Mas, não duvide. Até em seu final é extraordinário.

Resenha: O princípio da incerteza


Preciosa (EUA)

Embora tenha chegado aos cinemas brasileiros no começo do ano, não podemos esquecer este pequeno grande filme independente que chegou de surpresa nas grandes premiações e abocanhou alguns dos mais importantes prêmios do cinema americano. Nada disso foi a toa. Apoiado numa magnífica atuação de Mo´Nique (a qual comparei, e não me arrependo, a uma das maiores atuações femininas que já assisti, se não for a maior), esta produção tem ainda uma trama muito bem amarrada, dura, e sincera, capaz de estremecer o mais forte dos corações. É um filme capaz de literalmente dar um nó de alguns dias em qualquer estomago.

Resenha: A vida como ela é


A Origem (EUA)

Sigo insistindo: Christopher Nolan nunca errou. O cara é simplesmente fantástico. Dono de uma filmografia espetacular, ele inova mais uma vez ao tirar do papel uma trama tão confusa que fez alguns atores precisarem de diversas conversas e leituras mais intensas para entendê-lo a fundo. Criativo e inovador, sim, mas Inception é mais do que isso. É o começo de uma nova era de filmes-pipocas, mas também cabeças. Que fazem muito barulho, mas também te fazem pensar. Quem me conhece e acompanha o blog há algum tempo sabe que não estou mentindo: já tinha dido antes que esse sujeito mudaria a maneira de vermos o cinema moderno. Alguém ai ainda duvida?

Resenha: O cavalheiro dos sonhos


Toy Story 3 (EUA)

Se ainda existia alguma duvida de que animações são feitas para adultos embora sejam diretamente ligadas às crianças, a Pixar respondeu definitivamente essa questão. O filme não é só excelente, como vem sendo cogitado para ser indicado às premiações principais do Oscar. Alias, a Pixar cada vez mais vem se estabelecendo como o estúdio numero Um no conceito de animações e, assim como Nolan, nunca errou. Alem de um belíssimo encerramento de sua maravilhosa trilogia – onde cada filme é melhor que o anterior, algo raríssimo de se ver – a produção foi capaz de levar às lagrimas os adultos menos avisados. Diversão de primeira linha.


A Rede Social (EUA)

O comentado filme sobre o Facebook é a consagração definitiva de um diretor alternativo – que já foi persona non grata em Hollywood – e hoje é um dos mais criativos diretores modernos. Um sujeito que realmente entende as gerações e sabe mostrar como ninguém suas mazelas e seus temores na telona. Este filme – que pode ser o grande vencedor do próximo Oscar – é o retrato de como nos afastamos de nós mesmos ao tentarmos nos encontrar. E no caminho, o longa ainda levanta outras perguntas que até o internauta mais alienado pode se identificar. Um retrato de sua geração.

Resenha


Sede de Sangue (CRS)

Embora não seja uma invenção deles, ninguém melhor do que os americanos para contar e recontar versões para o apaixonante mito dos Vampiros (pense em um filme sobre eles, e garanto que terá sido realizado nos EUA). Mas bastou o tema se esgotar no cinema yankee (vide a série Crepúsculo, onde nem sangue, nem dentes os bichos têm) para que a lenda fosse reinventada pelos coreanos. E não estou somente falando de assustar. Este filme, do mesmo diretor de Oldboy, foi a melhor produção de terror e suspense do ano, mas infelizmente poucas pessoas tiveram a chance de assisti-lo. Propositalmente irregular do começo ao fim, a historia toma contornos cada vez mais inesperados levantando perguntas existenciais raramente feitas no cinema do gênero hoje em dia.

Resenha


Guerra ao Terror (EUA)

Logo no começo do ano, o longa que venceu Avatar no Oscar passado chegou nos cinemas para ser execrado pelo publico que foi curioso ver o que mais um filme sobre a guerra do Iraque tinha de especial. Esse foi exatamente o erro pois, como eu disse em minha resenha, o filme nem mesmo é sobre a tal guerra. A produção trata da conduta de seres humanos diferentes diante do perigo. Enquanto alguns fogem, outros não conseguem viver sem correr para perto dele. Isso é uma realidade muito mais americana do que nossa, claro, e provavelmente por conhecerem de fato pessoas que vivem isso dia a dia e sentirem esse drama na pele o filme seja muito restrito ao publico de lá. Mais isso não diminui seu discurso alarmista e o brilhante trabalho de sua equipe e elenco.

Resenha: A guerra que você não viu


O Garoto de Liverpool (ING)

Não sou mais fã de John Lennon do que de Paul McCartney, mas assistir a esse filme não é simplesmente uma obrigação para todo fã dos Beatles. A produção é tecnicamente perfeita – alias, diria que é parte da percepção que temos da historia – e seu elenco é magistral. E embora fale sobre a parte da historia que poucos conhecemos de uma grande banda, nunca deixa de exaltar que se trata da história de um menino que por causa da criação que teve e, obviamente, da magia da música, foi capaz de se tornar (isso mesmo, ele não era) o grande fenômeno que foi.

Resenha


O Pequeno Nicolau (FRA)

Sem sombra de duvidas, a melhor comédia do ano que assisti. Se a principio o filme pode parecer uma produção direcionada para as crianças, quem assiste a sua meia hora inicial logo constata que seu publico é muito mais amplo. É o exemplo de que o cinema ainda pode ser realizado por boas idéias e feito de forma simples e honesta. Sem apelar para escatologias e violência. Um filme para recordar a velha infância.


OUTROS GRANDES FILMES DE 2010:

A Fita Branca (AUS)

Kick-Ass – Quebrando Tudo (EUA)

Uma noite em 67 (BRA)

Robin Hood (ING)

Zona Verde (EUA)

A Estrada (EUA)

Abutres (ARG)

O Assassino dentro de mim (EUA/ING)

Scott Pilgrim contra o Mundo (EUA/ING)

Piranha 3D (EUA)

Homem de Ferro 2 (EUA)

1 comentários:

Alê Shcolnik disse...

Concordo! São tantos que não conseguiria fazer um top10!